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ramiro torres (3)

volvo recibir un poema do querido ramiro torres. desta vez o texto vai para min e mais para estevo creus. non sei se por cousa do parentesco entre o seu nome e o meu apelido non poucas veces chámanme a min estevo ou confúndenme con el. e non me importa, porque é un gran poeta e mellor amigo.
 
Para o Estevo Creus e o Eduardo Estévez

Somos sístole de sonho ouveante,
música pulsada no dorso de uma
lava invisível abraçando a casa
onde moraremos como vazio.
O assombro afaga o percurso
das formigas saindo do nosso sexo,
abertas em par as suas cabeças, a
beber a morte nas nossas retinas:
belas e atrozes, infestam a
compulsiva maquinária do absurdo,
percutem na pele dessecada
do que ainda nos atrapa,
ovulam nas imediações do país
acendido sob as unhas trementes.
Acolhemo-las como irmãs proscritas,
albergadoras dos rastos fascinantes
da outra vida que emerge no tempo
roubado ao cálculo da cinza, mentres
nos exercitam na sede maravilhada
de mistério como memória ansiosa do
invisível, pulmão de sonhos a turbar o
presente negado, na persistente entrega
da sua precisa doçura nocturna.

Dezembro de 2010

publicado en amigos